O QUE A PROVA TE
CONTA – ENTRE FOFOCA E PROCESSOS
Sabe como ouvir uma fofoca
fresca, com fatos, prints e provas deixa a mente aguçada? Mesmo quem não é de
prosa as vezes gosta de uma fofoca para afinar o dia. É que a gente sente que
quem conta um conto alerta a gente das situações que podem vir. Está na hora de
vermos o processo como uma grande fofoca.
Na construção de uma história nos
preocupamos com os personagens, com o enredo, o lugar, o vilão e toda trama que
está em volta. O processo não é diferente, porque assim como no rito popular,
tem alguém pronto para julgar quem tem a razão, mesmo que parcial. A única
diferença entre fofoca e processo é a acareação.
No direito penal acareação é o
ato de – colocando cara a cara – fazer com que as partes que são acusadas
fiquem defronte para ver se sustentam ou não seus argumentos pelo seu
comportamento e informações trazidas, quando os depoimentos são divergentes. O
processo é alguma coisa entre isso, sem o peso de uma acusação criminal, mas
colocando as partes para falar a sua versão dos fatos e, às vezes, na segurança
de uma audiência, cara a cara.
É por isso que é tão urgente e
necessário que quando alguma coisa acontece em nosso prejuízo possamos
registrar os detalhes do incidente, para que depois possamos justificar o que
aconteceu. A prova serve no processo como única fonte de credibilidade da nossa
versão dos fatos. Por que as vezes a gente tem o real sentimento de, quando
injustiçados, contar nossa versão transmitindo a nossa dor possa ser a forma
(dos juízes, pra fofoca e pro processo) de acreditarem, mas na vida real não é.
Estamos nos opondo a versão dos
nossos familiares, companheiros, patrões, conhecidos e desconhecidos ou de
grandes conglomerados de comércio que criam mecanismos muito sutis para se
desobrigar da responsabilidade e precisamos pensar além da nossa experiência
emocional que, devo lembrar, nem sempre é frustração, mas as vezes raiva, nojo,
tristeza, decepção, desmotivação e assim por diante.
É chegado o tempo de não só
contarmos nossa história, mas a certificarmos para o mundo, para que não só não
se tenha dúvida mas também para que ela seja fiel ao que atravessamos e, por
fim, seja respeitada.


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