Michelangelo Oliviero Pistoletto | Vênus dos Trapos, 1967

O DIREITO NÃO TE QUER POR PERTO

 

 

Me diga você, se não tivesse qualquer venda envolvida, quando foi à ultima vez em que você se sentiu privilegiado em um espaço de consumo. Lá, qualquer brinde é revertido no preço do produto e tudo que parece um aceno mínimo de agrado se veste de propaganda. Nas redes sociais isso não é diferente. Entre hashtags é importante pensar como é possível que você que é o destinatário final da sedução também seja o propalador do produto.

A verdade é que o direito não te quer por perto, exceto quando você servir ao interesse dele, o que em uma sociedade de consumo acontece o tempo todo. Como podemos então justificar para a geração que se forma que a relação com a coisa precisa ser diferente, sem limitar o aspecto de que é necessário reclamar quando lhe infligem mal?

Todos já viveram uma experiência de consumo frustrada ou quando envolvidos em qualquer questão mais próxima da realidade comum (herança, divórcio etc) pode ter sentido que precisaria ser substituído por um advogado para que, a partir do comportamento dele, pudéssemos nos defender.

Dentro da linha minimamente crítica que escrevo duas perguntas seguem em volta de mim causando muita confusão e constrangimento: como (sobre)viver quando o direito pode defender e representar tudo que eu desacredito sem perder de vista que ele ainda é um instrumento a ser utilizado a meu favor individualmente e como essa experiência pode ser dividida com outras pessoas que precisam compreender melhor para que haja uma contribuição, ainda que pequena, no seu dia a dia.

Eu tenho até esboços de respostas para as duas questões e acredito que espalhar o conhecimento formando uma rede de informações que vá armar as pessoas para como agir a partir de uma atuação preventiva pode ser a forma de um caminho, mas muito mais pode ser dito. Eu mesma não estou fazendo grande coisa quando eu só escrevo reflexões em um papel...

...mas quantas vezes que nossa história (ocidental) foi escrita como em um manual para nos guiar e, sobre esse mesmo papel, ainda tecemos críticas, nos desenvolvemos e adotamos ações práticas?

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